Minha vocação – Dom do amor de Deus

Por - Categoria -- > Papo Jovem

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Gostaria de começar partilhando com todos vocês aquilo que muitas vezes não conseguimos entender, e que ao mesmo tempo mexe conosco fazendo nosso coração inquieto. Em quantos momentos nos pegamos pensando no sentido da nossa vida, no que nos faria mais felizes, o que nos completaria, e percebemos ao mesmo tempo um grande vazio crescer dentro de nós. Meu Deus! O que faria o homem sem Ti!

Quando Jesus disse que devíamos amar o outro como a nós mesmos, Ele já havia desvendado o que a filosofia levaria ainda séculos para descobrir, que o homem é um ser sociável e que precisamos das outras pessoas para ser felizes, precisamos dos outros para ser inteiros, e que amando sem medidas eu completo minha natureza. Nascemos para amar, não o contrario!

“Nossa vocação é a santidade”. Quantas vezes ouvi essa frase, e em quantos momentos ela mexeu comigo, me desestruturou, me deixou pra baixo, e por quê? Por que não sabia o que era ser santo, e muito menos como alcançar a santidade. Insistia num ideal vazio no qual evoluímos em graus muito bem definidos por nós mesmos, que nos leva a uma perfeição encenada diante dos homens e que nos acaba frustrando quando colocada em confronto com a graça de Deus. Como rapidamente me esquecia de que a perfeição santa nasce do coração de Jesus, e que não a alcançamos por nossos próprios méritos, mas por pura misericórdia de Deus, simplesmente por que Ele decidiu nos amar, por que Ele viu que valeríamos a pena, por que Ele nos criou e disse que seríamos a Sua imagem e semelhança.

Como nos envaidecemos rápido! Esquecemos-nos que o nosso Senhor é o Santo dos Santos, e rapidamente damos asas para os nossos rompantes, mergulhamos fundo no orgulho de si mesmo, sedemos espaço a vaidade acreditando que podemos ser santos sozinhos. Meus irmãos, não podemos! Se não podemos ser santos sozinhos, o que dirá fazer Sua vontade confiando puramente nas nossas forças.

No evangelho segundo São Lucas (10, 33), Jesus nos narra uma bela parábola. Um homem despojado, espancado, deixado quase semimorto a beira do caminho, de repente é acolhido por um samaritano e tratado por ele. Quantas vezes depois de ter percorrido longas distancias, lutado com nossas próprias forças e mãos, mesmo para fazer o bem e a vontade do Senhor, nos encontramos tão debilitados e machucados que mal conseguimos continuar. Aquele homem jogado a beira do caminho sozinho já não mais conseguia, foi preciso que o samaritano trata-se de suas feridas para que ele pudesse continuar. Ser cuidador e deixar-se ser cuidado talvez seja uns dos primeiros sentimentos que deve brotar do coração do vocacionado, para viver assim, a gratuidade da compaixão de Deus.

Lembro-me perfeitamente do dia em que o reitor do seminário me perguntou por que queria morar nessa casa. Meio engasgado, respondi que era por que queria estar próximo de Jesus, queria enxergar mais de perto. O samaritano que estava passando pelo caminho, esteve próximo ao homem que precisava da sua ajuda. Precisamos ser próximos, primeiro de Jesus, e depois das pessoas, por que elas também refletem Jesus, é necessário aprender a buscar os sinais de Deus no outro, faíscas de santidade no olhar dos homens, não fomos feitos para o pecado, mas para a glória de Deus, portanto deve ter algo de divino em todos, sem exceção.   

O papa Francisco tem assombrado o mundo com suas afirmações tão verdadeiras e simples. Há algum tempo disse que a Igreja precisa ser como um hospital em constante campanha. Se assim deve ser, nós que somos seus servos, devemos estar disponíveis sempre.  O samaritano também soube ser disponível, colocando sua riqueza e seus talentos a disposição do outro. O egoísmo e a exclusividade muitas vezes fazem com que nossa vocação perca o sentido e seja morta. Jesus era um homem de todos, vivia para todos, estava disponível sempre, e isso marcou sua trajetória. Em quantos momentos nos negamos para o outro, construímos uma barreira inviolável em volta de nós nos fechando para alguns, ou pior, para todos. A verdadeira paz consiste em fazer o que Deus quer, e o que Deus quer é que sejamos um com Ele junto com nossos irmãos.

Não podemos nos esquecer de que todas as vocações nascem do Cristo, surgem do seu Sagrado Coração e se propagam para o mundo como fonte de misericórdia para a humanidade e para a Igreja. Mas o que garante o surgimento de tantas vocações?  Com certeza, a contínua entrega de Jesus a cada Eucaristia celebrada no mundo. Acredito piamente, que a isso se chama misericórdia, o encontro das nossas misérias, partindo de uma consciência viva, com a plenitude da Redenção. Na parábola do Evangelho de Lucas, o homem encontrado machucado a beira do caminho, muitas vezes somos nós mesmos, Jesus caminha ao nosso encontro como o samaritano caminhou ao encontro daquele homem, e nos cura, somos arrastados por Ele não a uma hospedaria, mas as profundezas do seu Coração para sermos restaurados e enviados a missão. Jesus está conosco! Todos os dias!

 

Roberto Cesar Braga

Seminarista Diocese de Uruaçu

2º.  Filosofia

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