O Animador Vocacional, Perfil e Missão

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Falar do serviço de animação vocacional implica considerar a figura do animador das vocações, sua missão e o perfil que o qualifica para a o serviço mais desafiador da Igreja nesse tempo. É impossível esgotar o tema em tão poucas linhas, apenas fazer algumas indicações dentre as mais relevantes.

O animador vocacional empenha-se para essa consciência seja alcançado por todos os batizados e a Igreja de Jesus Cristo seja uma Igreja toda ela ministerial, discípula missionária. Assim, todos são chamados, todos são vocacionados. O animador é um evangelizador, alguém que motiva os cristãos a viverem a sua vocação fundamental. O Mestre dirige convites especiais às pessoas, chamando-as à vida laical, religiosa ou ministerial.

Segundo Adalíbio Barth (Animação Vocacional, missão de todos, São Paulo: Loyola, 1999, p. 14), “o animador vocacional é uma pessoa entusiasta que imprime esperança e favorece a escuta do chamado de Deus”. A complexidade da sua realidade e as exigências deste serviço coloca-nos frente à baila de várias nomeações. No consenso atual, o animador vocacional é o que se dedica à Pastoral Vocacional e à Animação Vocacional, ou seja, à promoção das vocações específicas e ao cultivo da cultura vocacional, a partir da compreensão de que todos são chamados a uma missão.

A missão do animador e da animadora vocacional

A pastoral vocacional é responsabilidade de todo o povo de Deus, começa na família e continua na comunidade cristã; deve dirigir-se especialmente aos jovens para ajudá-los a descobrir o sentido da vida e o projeto que Deus tem para cada um, acompanhando-os em seu processo de discernimento (cf. DAp 314).

O dever de fomentar as vocações pertença a toda comunidade dos fiéis (cf. OT, 2; PDV, 41). Diante das circunstâncias eclesiais, a fraca consciência da dimensão vocacional batismal e a carência cada vez mais concreta de operários na messe do Senhor, sobretudo, de vocações à vida consagrada e aos ministérios ordenados, a Igreja organiza uma pastoral específica e institui a função dos animadores vocacionais, a fim de orientar e acompanhar de forma mais organizada e eficaz as etapas do processo vocacional.

O animador vocacional é uma pessoa chamada para essa missão “chamado para chamar”. O missionário vocacional deverá empenhar-se em educar as novas gerações para a escuta da voz de Deus.

No processo de amadurecimento da fé cristã depara-se com a etapa do discernimento vocacional, necessitando o apoio do serviço de animação vocacional, devidamente qualificado e disponível para ajudar os vocacionados no discernimento de sua vocação. Jesus de Nazaré é o animador vocacional por excelência. Nele todo animador vocacional deve buscar luz e força, pois a tarefa é árdua, inclusive no tempo de Jesus.

O Espírito, que age silenciosa e misteriosamente, suscita a sede de Deus, dispõe o coração humano ao despojamento e o move ao seguimento de Jesus Cristo, à adesão à vontade divina. O animador vocacional precisa estar convencido de que o primeiro passo no serviço de animação vocacional está em anunciar o amor incondicional de Deus por cada pessoa e possibilitar-lhe essa experiência.

O animador exercerá sua missão se sua vida for uma vida no Espírito, instrumento através do qual a ação do Espírito alcança o coração das novas gerações, tornando-as discípulas missionárias. O animador vocacional é uma pessoa possuída pelo Espírito. Sua experiência de fé o leva a anunciar a palavra da vida com novo ânimo, capaz de encantar, convencer e seduzir os ouvintes. Capaz de suscitar no interlocutor a santa inquietação: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 22,1-16).

De tudo isso, deduz-se que a ação do animador vocacional deve ser essencialmente mistagógica. Sem essa experiência não há vocação nem vocacionado, não há chamado nem resposta. Toda “vocação” que nasce em outro contexto não subsiste ou permanece como funcionário da fé.

Elementos que conferem habilitam para a missão vocacional 

O animador vocacional não é o único instrumento que Deus usa para interpelar as novas gerações ao seguimento do Nazareno, age livremente e, às vezes, de forma surpreendente, para além de nossas limitações. O serviço de animação vocacional é missão na Igreja e deve ser assumido com confiança na graça do Senhor que prometeu estar com a Igreja todos os dias, mas também com capacidade pastoral e pedagógica.

O perfil do animador vocacional é traçado pelo projeto do serviço de animação vocacional, pelo que se entende e se deseja deste serviço, quando instituído, a nível diocesano, paroquial ou congregacional. As metas que se quer alcançar indicam as aptidões e condições necessárias daqueles que o executarão. São condições essências ao animador vocacional todas as qualidades que revelam maturidade humana e espiritual, além da consciência de ser instrumento nas mãos de Deus. Deve ser um missionário itinerante, um anjo mensageiro de Deus que chega com suavidade e discrição, e com objetividade e clareza anuncia sem temor.

É fundamental que o animador vocacional seja uma pessoa engajada na caminhada eclesial. A verdadeira animação vocacional começa com a oração confiante.

O animador deverá ser um mensageiro peregrino, e, como Jesus, percorrer todas as cidades e povoados, dando voz ao chamado do Senhor, “Vem e segue-me” (Mt 19,21; Mc 2,14). Deve ter consciência de que depois do despertar, vem o cultivar, discernir e acompanhar, etapas que exigem muita dedicação, cuidado, zelo e vigilância.

É necessário preparar-se antes de assumir a função, nos campos afins como o da teologia, da psicologia, da pedagogia, desenvolver técnicas de liderança e de animação grupal, capacidade de aconselhamento e orientação espiritual, estar atento aos meios modernos e utilizá-los na medida em que favorecem o anúncio do Reino de Jesus Cristo.

           Seu entusiasmo contagiante, sua vibração pela causa do reino são elementos importantes, decisivos. Ao irradiar alegria, satisfação, realização, otimismo pode arrastar a muitos. Dessa motivação nasce uma ação criativa e as razões para buscar todos os meios que o tornam mais e mais apto para o serviço.

Os animadores são apenas instrumentos de Deus. Por mais eficiente que seja o trabalho, não há motivo para gloriar-se, apenas para agradecer ao Senhor da messe. A messe é do Senhor é os operários são enviados por Ele. O animador deve ser instrumento nas mãos do mestre e ter consciência de que não cabe a ele a colheita. O agente da PV/SAV está nessa missão em nome da Igreja.

 

                                                                              Pe. Valdecir Ferreira

PV – CNBB

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