Testemunho Seminarista Humberto Feliciano

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Chamado e santidade, contemplar Deus face a face?

Relato inicial de uma história vocacional.

Um chamado à santidade em vista do fim último do homem, esse é o sentido filosófico do termo “vocação” no qual consiste em um chamado para algo específico em vista da eternidade. Partindo desse ponto de vista, podemos pensar quanto o chamado de Deus para cada um de nós, que nos leva a dizer um “sim” pessoal e mais inteligente ao desejo de Deus.

Segue um breve relato inicial de um processo vocacional, que sempre esteve no desejo de Deus (Cf. Jer 1,5). De origem católica, família tradicional que pelos anseios a vida eterna e temor a Deus sempre na busca pela comunhão com Cristo e a Santa Igreja de forma ativa. Uma família aberta à vida, na qual permitiu vir a este mundo oito vidas (seis homens e dois mulheres), sendo eu o mais velho. Três vocações matrimoniais já confirmadas e uma das irmãs vivencia a fase do noviciado em uma congregação religiosa (Oblatas do Menino Jesus). Catequisado no seio familiar e da Igreja, sempre impressionado com o sagrado, sobretudo as artes sacras por influência da minha cidade de origem Pirenópolis-GO (1727), com seus quase trezentos anos carregados de arte sacra barroca.

Deus, com sua imensa sabedoria, usa da história e momentos acertados de cada pessoa para suscitar sua vocação particular. Aos sete anos de idade, em um diálogo com a avó materna foi dirigida palavras que ressoava do interior: “Vó, acho que Deus quer que eu seja padre, mas não quero e não comenta a ninguém”. Minha avó por ser uma pessoa muito católica, de oração guardou em seu coração e intercedeu por vinte e cinco anos até sua partida deste mundo.

Sempre na busca de ser um bom filho e ter um bom convívio social, surgiu oportunidade de um ensino de melhor qualidade em uma cidade mais distante e foi necessário que eu deixasse a vivência cotidiana no seio familiar aos dezesseis anos. Pleiteado um curso técnico concomitante com o ensino médio, mais que depressa ascendi à vida profissional, em uma empresa com parceria a grandes multinacionais na área da formação técnica. Por alguns anos e logo veio à aprovação em concurso público estadual, era um trabalho desejado por muitos, uma estatal de muitos méritos, com bom salário. Surgiu a oportunidade de concluir a graduação em Administração, fazer uma pós-graduação e também vieram as promoções no trabalho.

Engajado em pastorais, assíduo para com os preceitos propostos pela Igreja, e sempre passava por muitas dificuldades, parecia não estar no lugar querido, a sensação que algo faltava para completar a felicidade, o que chamamos “crise vocacional”, jamais era expunha o motivo de tal crise, carregava tudo de forma bem particular. Até que um convite inesperado do pároco, um padre com seu olhar sobrenatural ou por Misericórdia Divina instituiu-me ministro da Eucaristia. O contato com os bastidores da vida celibatária, nesta doação de amor a todos sem direcionar tudo a uma única pessoa, permitiu a abertura de coração para a vontade de Deus. Dessa forma, unindo meu próprio coração com o coração de Deus ou à vontade de Deus, tomei a decisão (após muita oração, direção espiritual, acompanhamento junto com a pastoral vocacional) de aos trinta e dois anos ingressar no seminário Diocesano Imaculado Coração de Maria da Diocese de Anápolis-GO.

A necessidade de deixar tudo era imprescindível: a vida profissional, um trabalho concursado e estável por quase dez anos; os sonhos materiais; a namorada; enfim, tudo deste mundo, a um discernimento mais restrito, para trabalhar o “sim” a Deus de forma mais disponível. Afirmo que a cada dia vivido no seminário, mesmo com as dificuldades enfrentadas, a felicidade tanto almejada vem surgindo cotidianamente. Atualmente, curso o segundo ano do curso Filosofia e o terceiro ano de experiência em um seminário que forma presbíteros para a Igreja Católica. De coração aberto e sincero, anseio em responder o “sim” a Deus e a busca da minha felicidade e santidade.

Dirijo-me aos jovens: muitas vocações se perdem por medo, seja matrimonial, vida celibatária, religiosa ou sacerdotal. Não tenham medo, busquem a verdadeira felicidade que está em Deus e vivida através de sua vocação. Mantenham o foco em vista do seu fim último que é contemplar Deus face a face. Deem seu “SIM” sem medo e com amor a sua vocação. Que Deus possa abençoa-los no processo de discernimento vocacional.

Assessoria de Comunicação

Centro Vocacional Diocesano João Paulo II

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