Testemunho Ir. Solange Maria

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Um chamado…uma vida !

Sou mineira de Iraí de Minas, mas pequenina fui com meus pais para Goiás, Uruaçu. Foi ali que cresci e encontrei-me com as Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, que me cativaram pelo sorriso, simplicidade de vida, pela oração e pela dedicação à Missão e à Educação. Foi um amor à primeira vista!

Foi no contato com elas, sobretudo quando me prepararam para a Primeira Comunhão, que percebi o chamado de Deus e mais tarde me tornei Dominicana de Santa Catarina de Sena.

Como um relâmpago, já se passaram cinqüenta anos. Se eu pudesse recomeçaria tudo de novo, pois a alegria da minha Consagração, da minha entrega é pura gratuidade de Deus que me amou e me escolheu desde o ventre materno.

Na Formação Inicial tudo era novidade, encantamento, alegria. A confirmação do chamado se concretiza no dia a dia na oração, na vida comunitária e no estudo. As dificuldades eram superadas com a graça de Deus na oração, na correção fraterna e na orientação da Formadora Irmã Maria das Graças Silva que com carinho e amor me fazia perceber que “Tudo posso Naquele que me fortalece”.(Ef 4,13)

Eis que chega o grande dia da minha Primeira Profissão Religiosa 08.01.1968:

Grande dia, inesquecível, minha alma estava mergulhada na misericórdia de Deus. Sentia-me pequena, mas confiante no amor de Deus e na proteção de Nossa Senhora. Pronunciei o meu sim com grande desejo de ser fiel à minha vocação, e Deus tem me concedido esta graça.

Continuei minha formação nas várias comunidades da Província e foi em São Paulo-SP, no Colégio Santa Catarina de Sena que vivi os dez primeiros anos da minha vida consagrada, dedicando-me aos estudos acadêmicos, formação religiosa e dando aula de religião no Colégio e sendo Professora do 3° e 4° Ano Primário. Foi nesta comunidade que aprendi a arte de amar sempre, ser alegre e feliz servindo a todos e a cultivar uma intimidade com Deus na oração. Era uma comunidade grande e alegre, com irmãs de todas as idades. Nesta comunidade fui aprovada para os votos perpétuos que se deu em julho de 1974. Tenho uma enorme gratidão a esta comunidade que me ajudou a trilhar os caminhos do seguimento de Jesus e a conhecer na prática o carisma da Congregação.

Em 1980, fui transferida para a Comunidade de Limeira, um grande Colégio. Ali tive de trabalhar com adultos, enfrentar novos desafios, mas tudo isso não durou muito tempo. Foram oito meses e em setembro fui transferida para Amparo, pois fui nomeada Mestra de postulantes e Noviças. Que responsabilidade tão grande…já estava me sentindo bem com as aulas no curso Supletivo  e na Comunidade e agora é preciso partir para uma nova missão!

Nesta missão de formadora passei os melhores e mais desafiadores anos da minha vida religiosa. Foram dez anos de aprendizagem, amadurecimento humano e espiritual, fazendo a caminhada vocacional com cada formanda, confiando em Deus que chama quem Ele quer e como Ele quer. A vocação é um mistério! A todas as Irmãs que passaram por mim, o meu amor e profunda gratidão. Tenho-as no meu coração. É maravilhoso perceber que Deus vai agindo em nós, que somos meros instrumentos em suas mãos. Ele sempre coloca pessoas que possam nos ajudar nesta tarefa tão sublime.

A consagração, o seguimento de Jesus se vive no dia a dia, nos acontecimentos, na missão, e na disponibilidade. Foi com esse espírito de viver a vontade de Deus que fui servir a minha Congregação em Portugal como Conselheira Geral. Foram seis anos de grandes experiências, pois tive a oportunidade de conhecer as várias comunidades da Congregação, a maneira de viver o carisma nas diversas culturas e realidades.

Ao voltar de Portugal fui destinada para uma missão no nordeste, em Petrolina PE. Que calor!… Que povo acolhedor!…Que maravilha trabalhar na evangelização com os mais necessitados! Procurei adaptar-me a essa nova realidade, mas seis meses depois foi-me pedido para assumir a direção do Colégio Nossa Senhora Aparecida, em Uruaçu, GO. No meu coração e na minha mente surge uma lembrança que sempre orientou as minhas decisões: Fazer o bem sempre e onde seja possível, como dizia Teresa de Saldanha, nossa Fundadora. Parti confiante e passei por Brasília, participei do Congresso de Educação das Escolas Católicas, para me atualizar sobre a Educação no Brasil, pois fiquei seis anos fora do país.

Em Uruaçu, no colégio onde estudei, procurei dar o melhor de mim, vivendo o carisma da Congregação na educação e na evangelização a nível Paroquial.

Depois de cinco anos e meio, fui transferida para a missão em Petrolina PE. Como é bom acolher com fé e amor a vontade de Deus que se manifesta nos diversos acontecimentos! Em Petrolina foram dez anos vividos com muita intensidade, no Pensionato e na dedicação aos Bairros mais carentes e na formação de lideranças das comunidades através do curso de Teologia para Leigos, com a duração de três anos. Éramos três Irmãs, que superando as dificuldades próprias da missão vivíamos alegres e felizes.

De Petrolina fui enviada para a missão além fronteira, na Albânia. Experiência forte, rica de conhecimentos de outra cultura e vida comunitária. Ali realizei o meu desejo de ser missionária além fronteira, por três anos e meio.

Ao voltar da Albânia,voltei para Petrolina, para o Projeto Social Madre Teresa de Saldanha. Depois de cinco meses fui transferida para Londrina. Em Londrina, minha missão consistiu em trabalho paroquial, promoção vocacional, Missões Populares e visita aos doentes. Vida comunitária intensa!

Depois de onze meses, nova transferência: para o Colégio Nossa Senhora Aparecida, onde assumi a catequese e a Pastoral dentro da Obra e também a Pastoral Vocacional e palestras na Paróquia… E aqui estou, procurando amar no momento presente, acolhendo a todos e servindo em tudo o que posso.  Considero um grande carinho de Deus estar aqui, onde tudo começou!

Com gratidão a Deus, à Congregação e à minha família, em especial à minha mãe pela sabedoria e amor com que me apoiou, canto, como Maria, o meu Magnificat!

E como Teresa de Saldanha, sinto em meu coração:

“Feliz, mil vezes feliz sou eu, e por tudo dou graças a Deus!”

Ir. Solange Maria de Carvalho OP.

Assessoria de Comunicação

Centro Vocacional Diocesano João Paulo II

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